← Todos os artigos
Suplementos

Suplementar vitaminas e minerais: por que importa e por que é um meio, não o fim

FBFrancisco Barbosa
Farmacêutico responsável técnico, CRF-SP 63.754
· 6 de novembro de 2026· 6 min de leitura

O ideal seria conseguir todas as vitaminas e minerais pela comida: refeições completas, variadas e feitas com alimentos frescos, todos os dias. Na prática, a rotina mudou, e o prato mudou junto. Quando a alimentação não fecha a conta, suplementar o que falta, na dose certa e com acompanhamento, ajuda a corrigir essa lacuna. Mas suplemento não é o ponto de chegada: é um meio para corrigir uma falta ou sustentar uma demanda maior.

O prato mudou, e a qualidade nutricional caiu

Com a rotina corrida, alimentos frescos foram dando lugar a produtos prontos. Na Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017-2018 do IBGE, os ultraprocessados já respondiam por cerca de um quinto das calorias consumidas no Brasil. Esses produtos costumam ter mais açúcar, gordura saturada e sódio, e menos fibras, vitaminas e minerais. Um estudo brasileiro com dados nacionais mostrou que, quanto maior a participação deles na dieta, menor o teor de vários micronutrientes.

Os números de consumo também chamam atenção: na mesma pesquisa, vitamina D, vitamina E e cálcio estão entre os nutrientes com consumo abaixo do recomendado na maior parte da população. Consumo baixo não é o mesmo que deficiência (a vitamina D, por exemplo, vem principalmente do sol), mas é um sinal de que vale olhar com atenção. Pouco sol, dietas restritivas, alimentação sem carne e alguns remédios de uso contínuo (como metformina e omeprazol, no caso da B12) podem aumentar o risco de falta de nutrientes como vitamina D, B12 e ferro.

Primeiro identificar, depois suplementar

Suplementar bem começa antes do suplemento: avaliação da alimentação, dos sintomas, dos medicamentos em uso e, quando indicado, exames de sangue. Alguns nutrientes não são bem medidos no sangue, e aí a avaliação clínica e alimentar pesa mais. A partir disso, o profissional que acompanha você define o que entra, em que dose e por quanto tempo.

Mais não é melhor. Alguns nutrientes em excesso fazem mal: vitaminas A e D em doses altas por muito tempo, ferro sem necessidade, selênio acima do limite e vitamina B6 em doses elevadas, que pode afetar os nervos. Por isso a ideia é suplementar apenas o que falta, na quantidade necessária.

É aqui que a personalização faz diferença. Quando o prescritor opta por uma fórmula manipulada, ela pode reunir só os nutrientes indicados, nas doses definidas para você, e ser ajustada a cada nova avaliação. Quando um suplemento pronto atende, ele também é uma boa opção.

Suplementação é um processo

Um exemplo comum é o de quem descobre, num exame, um nível muito baixo de vitamina D, B12 ou ferro. O caminho costuma ser este:

  1. Correção: o prescritor define uma dose de reposição, geralmente maior no início, para recuperar o nível mais rápido.
  2. Mudança de rotina ao mesmo tempo: alimentação, exposição ao sol, horários e, quando existe, a causa da perda, como uma absorção ruim ou um remédio que interfere.
  3. Reavaliação: novos exames depois de algumas semanas ou meses mostram como o nível respondeu.
  4. Manutenção: com o nível adequado, a dose costuma cair para uma quantidade menor.
  5. Retirada, quando possível: se a causa foi corrigida e o nível se mantém, em alguns casos a suplementação deixa de ser necessária. Em outros, como após cirurgia bariátrica ou em quem não come carne e precisa de B12, a manutenção é contínua.

Por isso a dose, e a fórmula, quando é manipulada, costuma mudar ao longo do tempo. A dose que fazia sentido no começo raramente é a mesma meses depois.

Rotina puxada e alta performance

Existe um segundo cenário: quem não tem uma deficiência clara, mas exige muito do corpo. Vale para quem tem uma rotina desgastante e para atletas, amadores ou profissionais. Treino intenso e muita transpiração aumentam a demanda e a perda de alguns nutrientes, como ferro e magnésio. E quem treina em ambiente fechado ou toma pouco sol tem mais risco de vitamina D baixa.

A base continua sendo sono, alimentação e recuperação. A suplementação pode entrar quando a avaliação mostra uma lacuna ou um risco claro, para manter os níveis de vitaminas e minerais adequados, sem faltas nem excessos. Aqui também o acompanhamento é necessário, porque a demanda muda com a fase do treino e da vida. Atletas sujeitos a controle antidoping devem conferir a composição de qualquer suplemento antes de usar.

Em resumo

Com a alimentação mais pobre em nutrientes e rotinas cada vez mais desgastantes, suplementar o que falta deixou de ser exceção para muita gente. Feita a partir de avaliação, na dose certa e com ajustes ao longo do tempo, a suplementação é uma aliada importante. Não é o fim do caminho: é um meio para o corpo voltar ao equilíbrio.

Pergunta rápida

Quem come bem precisa suplementar?

Nem sempre. Uma alimentação variada pode suprir o necessário. A suplementação entra quando há uma falta identificada, uma demanda maior ou uma situação que dificulta a absorção.

Posso tomar um polivitamínico por conta própria?

Os de dose baixa costumam ser seguros, mas raramente corrigem uma deficiência importante e podem somar excessos com outros suplementos. O ideal é avaliar antes com um profissional de saúde.

Por quanto tempo preciso tomar?

Depende do motivo. Na correção de uma deficiência, a dose costuma ser maior no início e cair depois. Em alguns casos a suplementação para; em outros, a manutenção é contínua. Novos exames orientam a decisão.

Suplemento manipulado é melhor que o pronto?

A vantagem do manipulado é poder reunir só o que foi prescrito, nas doses definidas para você, e mudar a fórmula a cada reavaliação. Quando um suplemento pronto atende, ele também é uma boa escolha.

Referências (6)
  1. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017-2018: análise do consumo alimentar pessoal no Brasil. Rio de Janeiro: IBGE; 2020.
  2. Louzada MLC, et al. Impacto do consumo de alimentos ultraprocessados sobre o teor de micronutrientes da dieta no Brasil. Rev Saúde Pública. 2015;49:45.
  3. Brasil. Ministério da Saúde. Guia Alimentar para a População Brasileira. 2ª ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2014.
  4. Maughan RJ, et al. IOC consensus statement: dietary supplements and the high-performance athlete. Br J Sports Med. 2018;52(7):439-455.
  5. Brasil. ANVISA. Resolução RDC nº 243, de 26 de julho de 2018 (suplementos alimentares).
  6. Brasil. ANVISA. Resolução RDC nº 67, de 8 de outubro de 2007.
Fachada da FarmaGalb em Hortolândia

Da teoria à prática

Manipule sua receita na FarmaGalb

Laboratório próprio em Hortolândia, fórmula pronta em 24 a 48 horas úteis e frete grátis para cidades selecionadas: Hortolândia, Campinas, Sumaré, Paulínia, Monte Mor e Nova Odessa (consulte condições e pedido mínimo).

  • 5,0 ★ no Google, +440 avaliações
  • Desde 2022 em Hortolândia
  • ~20 colaboradores
  • Responsável técnico CRF-SP 63.754

Conteúdo informativo produzido pela equipe farmacêutica da FarmaGalb, farmácia de manipulação em Hortolândia, sob responsabilidade técnica de Francisco Barbosa (CRF-SP 63.754). Não substitui a orientação do profissional de saúde que acompanha você.

Continue lendo

Mais para entender.