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Dermatologia e cabelo

Melasma tem cura? Como funciona o tratamento

FBFrancisco Barbosa
Farmacêutico responsável técnico, CRF-SP 63.754
· 28 de outubro de 2026· 6 min de leitura

O melasma é uma condição crônica e recorrente: não tem cura definitiva, mas pode ser controlado. O tratamento combina proteção solar rigorosa com ativos clareadores definidos por médico, e costuma exigir manutenção, porque as manchas tendem a voltar com sol, calor e alterações hormonais.

O que é melasma?

Melasma é uma hiperpigmentação adquirida que forma manchas acastanhadas, geralmente simétricas, na testa, maçãs do rosto, buço e queixo; também pode surgir no colo e nos braços. É mais frequente em mulheres em idade fértil e em fototipos intermediários a altos, o que o torna muito comum no Brasil. Não é contagioso nem perigoso, mas tem impacto importante na autoestima. O diagnóstico deve ser feito por dermatologista, que diferencia o melasma de outras manchas e avalia sua profundidade.

O que causa ou piora o melasma?

A causa é multifatorial. Há predisposição genética e uma interação entre melanócitos hiperativos, vasos sanguíneos da derme e a própria barreira da pele. Os principais gatilhos conhecidos são:

  • Radiação ultravioleta e luz visível, inclusive a luz do dia que atravessa janelas.
  • Calor, mesmo sem exposição direta ao sol.
  • Gravidez, anticoncepcionais hormonais e terapia de reposição hormonal.
  • Alguns medicamentos fotossensibilizantes e cosméticos irritantes.
  • Inflamação da pele, incluindo procedimentos agressivos.

Por que o protetor solar é a base do tratamento?

Sem proteção solar diária, nenhum clareador se sustenta: pouca exposição já reativa a produção de pigmento. A recomendação usual é protetor de amplo espectro, com proteção UVA alta e, de preferência, com cor (pigmentos como óxido de ferro), que ajudam a bloquear a luz visível, um gatilho relevante em peles mais escuras. A reaplicação ao longo do dia, chapéu e óculos completam a proteção. O protetor deve ser mantido mesmo depois que as manchas clareiam.

Quais ativos manipulados costumam ser prescritos para melasma?

A escolha, a concentração e o tempo de uso são definidos pelo prescritor. Entre os ativos mais estudados estão:

  • Hidroquinona: clareador de referência; no Brasil é tratada como medicamento e deve ser usada com prescrição. É usada por períodos limitados definidos pelo médico, porque o uso prolongado pode causar irritação e ocronose exógena (escurecimento paradoxal).
  • Tretinoína: acelera a renovação celular e potencializa outros clareadores; pode irritar e é contraindicada na gestação.
  • Ácido azelaico: reduz a atividade de melanócitos alterados; costuma ser bem tolerado e é uma opção considerada em peles sensíveis.
  • Ácido tranexâmico tópico: atua na via inflamatória e vascular do melasma, com perfil de tolerância favorável.
  • Niacinamida: reduz a transferência de pigmento para as células da pele e ajuda a barreira cutânea.
  • Cisteamina: despigmentante usado em aplicação de contato curto, com estudos que sugerem benefício.

A combinação de hidroquinona, tretinoína e corticoide tópico (a chamada fórmula tripla) é uma das associações com mais evidência, mas o corticoide também deve ser usado por tempo restrito e sob orientação.

E o ácido tranexâmico oral? Metanálises indicam que, em doses baixas, ele pode reduzir a gravidade do melasma, e há estudos em casos que não responderam a outros tratamentos. É uso off-label, que exige prescrição e avaliação médica, porque o medicamento interfere na coagulação. Costuma ser contraindicado ou exigir muita cautela em pessoas com histórico pessoal ou familiar de trombose, embolia ou trombofilia, AVC ou doença cardiovascular, na gestação, em quem usa anticoncepcional ou terapia hormonal e em doença renal importante.

Por que manipular o tratamento do melasma?

A manipulação permite que o prescritor associe ativos compatíveis em uma única fórmula, escolha concentrações adequadas a cada fase do tratamento e defina o veículo pelo tipo de pele: gel ou sérum para pele oleosa, creme para pele seca, bases mais suaves para pele sensível. Essa individualização é uma decisão do prescritor. A farmácia avalia a compatibilidade e a estabilidade entre os ativos, o pH da formulação e orienta sobre armazenamento, já que alguns ativos, como a hidroquinona, oxidam com facilidade.

O melasma volta? E na gravidez, o que muda?

A recidiva é frequente, especialmente no verão ou após suspender o tratamento. Por isso, muitos prescritores planejam uma fase de manutenção com ativos de uso prolongado e protetor solar contínuo. Na gestação e na amamentação, o melasma é comum e o cuidado é redobrado: tretinoína, hidroquinona e ácido tranexâmico oral costumam ser evitados, e a proteção solar passa a ser o principal recurso. Qualquer ativo nesse período só deve ser usado com liberação do médico. Em todas as fases, a resposta varia de pessoa para pessoa e não há garantia de resultado.

Como a FarmaGalb pode ajudar?

A FarmaGalb, em Hortolândia (SP), é uma farmácia de manipulação que prepara a fórmula exatamente como foi prescrita, com conferência farmacêutica da receita antes da produção. O orçamento pode ser solicitado enviando a foto da receita pelo WhatsApp (19) 97166-9996, e há entrega grátis para cidades selecionadas da região (consulte condições e pedido mínimo). Dúvidas sobre uso e armazenamento da fórmula podem ser tiradas com a equipe. Farmacêutico responsável: Francisco Barbosa (CRF-SP 63.754).

Pergunta rápida

Melasma tem cura?

Não há cura definitiva. O melasma pode ser controlado com proteção solar rigorosa e tratamento prescrito por médico, mas tende a voltar, por isso a manutenção costuma fazer parte do plano.

Posso usar hidroquinona por conta própria?

Não. No Brasil, a hidroquinona é tratada como medicamento. Concentração e tempo de uso devem ser definidos pelo médico, pelo risco de irritação e de ocronose com uso prolongado.

Referências (4)
  1. Ogbechie-Godec OA, Elbuluk N. Melasma: an up-to-date comprehensive review. Dermatology and Therapy (Heidelberg). 2017;7(3):305-318.
  2. Kim HJ, et al. Efficacy and safety of tranexamic acid in melasma: a meta-analysis and systematic review. Acta Dermato-Venereologica. 2017;97(7):776-781.
  3. Zhang L, Tan WQ, Fang QQ, et al. Tranexamic acid for adults with melasma: a systematic review and meta-analysis. BioMed Research International. 2018;2018:1683414.
  4. Anvisa. Resolução RDC nº 67, de 8 de outubro de 2007 — Boas Práticas de Manipulação de Preparações Magistrais e Oficinais para Uso Humano em farmácias.
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